segunda-feira, 30 de julho de 2012

AS SENHAS DO EU: preâmbulo.


Anos atrás, num texto que escrevi para Elo, brincava de Pique - esconde. Eu dizia e falava mais como criança, isto é, com uma ingenuidade que ignora a profundidade do gesto e do dito, que a gente deixava partes nossas guardadas com o outro. E depois a gente re-encontrava esse Outro para que ele nos devolvesse aquilo que é nosso, que deixamos emprestado. O nome disso é amor. A cara mais visível desse amor é a amizade.
O amigo, já diziam os pitagóricos, é o meu outro eu. É aquele que te conhece mesmo quando você se ignora, mesmo quando você se perde, mesmo quando você se ausenta e tenta tirar férias de você mesmo. O amigo te relembra quem você é. O amigo tem a senha.
A senha é um termo curioso. O ouvi pela primeira vez na periferia de alguma escola na qual leciono ou lecionei. Um grupo de alunos dançava Hip Hop e outro mano da comunidade, não estudante da nossa escola, olhou para o garoto mais novo que se destacava na roda, quebrando todo, olhou para mim e disse: “ele tem a senha!” Noutra feita, se deu com um guri que operacionalizava algum jogo eletrônico, o rapaz olhou e disse: “ele tem a senha”. Como quem diz: ele sabe muito. Ele abre as portas, ele decifra os códigos. Neste texto esse é o sentido da senha.
O amigo tem a nossa senha. Ele entra em nós. Quando estamos desconfigurados, ele pega a senha e nos formata, nos tira do rascunho e nos devolve ao original. Mas, descobri que há hackers nesse negócio também. Há o lado belo, infantil, terno, responsável, leal no qual amigos se trocam, mas há algo também de destrutivo em que inimigos se invadem, se controlam, se empacam, se prendem.
Lidei com um caso desse bem de perto. A moça me procurou e quando fui ver, o cara tinha não era apenas a senha, o cara a tinha toda, inteira, completamente, a qualquer momento em que ele quisesse e desejasse. Bastava um telefonema, depois de dias, anos, meses, pelo o que eu pude analisar, séculos, e ela ia, satisfazê-lo. Fiquei impressionado. O cara de fato tem a senha. 
Mas, mais do que se ter a senha, mais do que guardar partes do outro com você para devolvê-lo depois, algumas pessoas se apoderam do outro. Pe Fábio Melo chamou isso, maravilhosamente bem de: “ sequestro da subjetividade”. Algumas pessoas simplesmente roubam a senha das outras, apoderam-se da outra, não devolvem a outra, certo?
Em parte sim, mas em outra, temos que falar dos que dão a senha de própria vontade, desejo, querer e se ofendem quando alguem recusa a senha que deram, ou querem devolver. 
Vamos falar de casos em que algumas pessoas entregavam o coração delas na mão do outro, completamente, inteiramente. Para muitas é uma ofensa não aceitar o coração que elas depositam nos pés do seu amo, dono, senhor. Fiquei assustado.
Eu vi amigas dando tudo a seus amantes. Vi amigas perdendo-se na busca por seu amante. Vi amigos se transformando diante de suas amantes. A única pergunta a ser feita é: eles estão de posse do próprio coração? Estando ou não, nada resta a fazer. É uma cegueira. A única esperança é a de que o outro não judie, não maltrate, não humilhe, não pise, não escravize. A única esperança é que o outro seja amigo. Por que do contrário... nada pode cortar, alterar, a não ser o fio de esperança, de consciência.
O que escapa a maioria de nós é que a vitima também tem a senha do outro, mas se recusa a devolver. Tem hora que para mudar de fase, para brincar diferente, tem que recomeçar tudo outra vez. E no caso em questão, a moça se recusava a devolver a senha para o seu par, fazia algo ainda mais louco, repetia a mesma relação com um terceiro, mas agora na condição de sádica. Sim, não consigo ver essa relação se não pela perspectiva SM (sado masoquista) trataremos disso no final. 

quarta-feira, 25 de julho de 2012

O QUE É SER SOLTEIRO: uma tentativa de resposta.




Dia desses, Primavera me perguntou o que é ser solteiro? Dei uma resposta rápida, apressada, que ela não conseguiu me visualizar dentro da definição dada por mim. Falei que ser solteiro era ser livre. E ela não me via livre, embora me visse e reconhecesse solteiro.

Diante disso, vi que teria que amadurecer a idéia para responder depois. Tentei responder por diversas perspectivas, pensando em amigos, colegas, amigas, mas não encontrava um denominador comum. Para uns ser solteiro é a própria liberdade, para outras a solidão indolente e sistemática. Para uns é um telos, um destino final, para outras a falta de sentido, um vazio, uma dor lancinante.

Passaram quase dois meses, volto à pergunta. Mas, antes, tenho que dizer, que uma namorada, certa feita, me disse que eu era como um homem casado e ela sentia-se minha amante. De fato, não sou tão livre quanto deseja meus pensamentos. Será isso triste? Será que a liberdade é apenas um estado mental desvinculado de um fazer sensível, material, prático e pragmático? Imaginar-se nu numa noite clara é ser livre ou a liberdade esta em se desnudar na noite? Aquele que só pensa e não age seria um escravo de suas idéias, de seus castelos encantados? Ou pelo contrário, a liberdade de pensar, imaginar, fantasiar o torna livre? Diria Alberto Caeiro que todas essas divagações são chatas como andar na chuva, mesmo porque eu deveria responder apenas o que é ser solteiro e desembestei a falar de liberdade. O que tem a ver liberdade e solteirice?

Eis a questão emblemática. Há solteiros por escolha, por convicção. Há solteiros que assim como pedras sentem-se bem sozinhos; desconfio desses. Há solteiros que ficam desesperados com a sua solitude: arranjam bonecas infláveis, animais de estimação, controle remoto, tudo e qualquer coisa para não suportarem o vazio constrangedor da própria presença. Há os que pagam por companhia, seja da prostituta, seja do garoto de programa, seja da cerveja gelada tomada ao ar livre para ver se esquenta esse vazio insuportável de não se ter um par. Na contramão dessas colocações há a solidão a dois tão bem desenhados por Cazuza e tão bem manifesta no casamento. Isto é, há aquelas que já não suportam mais o par. Há aqueles que já não conseguem olhar para a mesma esposa, que mantém sempre o mesmo olhar, na mesma hora. Igualmente arrepiante é a mãe que já não dá conta de suportar os mesmos filhos, com as mesmas necessidades, com os mesmos pedidos, demandando sempre as mesmas atenções. Em suma, como não poderia  deixar de ser diferente, quem está solteiro deseja uma companhia e quem tem par esta torcendo pela separação.

No frigir dos ovos não é questão de ser solteiro ou de ser casado é que viver é mesmo muito complicado. Complicado, porque desejamos sempre a falta, a carência, aquilo que não temos, aquilo que perdemos. Difícil encontrar um ser humano que aceita a quietude da sua escolha, que olha para ela e diz: “eu escolheria esse mesmo de novo”. Difícil suportar a solidão quando se sabe que há tantas mulheres e homens no mundo. Mas, já se perguntou o que se deseja desse outro? O que se espera desse outro?

De tudo isso me parece que a gente busca o outro, mas não suportamos nem a nós mesmos. No século XX Sartre disse que o inferno era o outro. No século XXI o inferno é o eu. O outro é o próprio diabo: atrativo, divertido, mas ninguém quer levar pra casa. Desse fogo a maioria quer distância.

Mas agora, tentando, definitivamente, responder a pergunta: o que é ser solteiro? Acho que isso não é um ser é um estar. A solteirice é um estado. Um imaginário, um fazer. Fui casado, me comprometi de muitas formas, mas na mais básica e elementar, posso dizer depois de quase uma década separado, que fui solteiro. Com isso quero dizer que há pessoas que nunca se casam, mesmo casadas, elas sempre estão nelas, com elas. O outro nos é importante, mas não nos é uma necessidade, uma falta, uma angústia. Vivemos sem o outro, seja este outro quem for. Só não vivemos sem nós mesmos.

Esta postura nos relacionamentos é controvertida, porque a visão de amor que temos é a da fusão, da integração. Carregamos uma visão de amor na qual se ter vida própria sem o outro é traição, é crime. O castigo desse pensamento é a infelicidade conjugal. Eu desconfio cada vez mais que o casamento é o sepulcro do amor. Justamente, porque nele cada um se mata, se perde, se dá, se entrega. E infantilmente, entregamos justamente aquilo que não pode ser entregue, que o outro não pode carregar, receber; nós mesmos. O melhor da gente. Casar é matar o outro. É um prazer meio de caçador que se sente mais confortável com o ser da sua admiração preso na gaiola.

O contrário disso, mas que é a mesma coisa, é a infantilidade. Uma e outra apontam para o mesmo lugar, ainda não sabemos amar. Ora, por desejarmos e acreditarmos, infantilmente que este outro é o ser que supre nossas carências, o ser que realiza minhas fantasias no fazer dela. Ora por não querermos contato estreito com outras pessoas por medo de nos ferir, de nos magoar. Ambos os casos revelam que no que tange ao amor não amadurecemos.

A falta dessa amadurecimento é que nos faz enquanto comprometidos com terceiros, sentirmos uma inveja de nossos amigos casados, noivos, se relacionando. Essa falta de amadurecimento nos faz lançar um olhar de culpa para a mulher que trai, que rompe, que prefere ficar sem marido, sem filhos, deixar tudo para trás.

Em nossa cultura só se é adulto depois de casar, ter filhos. É uma estulticie seguida e alardeada. Mulheres que estão solteiras aos 25, 30 estão a um passo ou de pegar um homem a laço e levar para o altar, ou de ir fazer inseminação artificial. Geralmente, descobrem que esse desejo era dos pais dela, mas aí já estão gordas, casadas, cuidando da casa, dos filhos e torcendo pela separação.

Eu diria hoje que ser solteiro é estar casado consigo mesmo. Que venha as bodas de ouro.


domingo, 8 de julho de 2012

ACONSELHAMENTO METAFISICO: um diálogo com os pares.


Vou fazer um diálogo com os pares, mas uma pergunta vem à tona: quem é meu par? Quem são os meus pares? Médiuns? Astrólogos? Místicos? Filósofos? Professores? Afinal, quem é o meu par ou os meus pares?


A indagação inicial e a lacuna das respostas seriam suficientes para mostrar que não devo satisfação a ninguém, que deveria desenvolver meu trabalho sem ficar tentando dar explicações a quem não as pediu. Todavia..... o que percebo é que o Kélsen místico, médium precisa dar satisfação ao Kélsen filósofo, especialmente, quando os dois primeiros fazem uso de conceitos do jargão filosófico, como por exemplo, metafísico.

Sim, na cabeça do Kélsen filósofo as palavras tem domínios e usos restritos. Na concepção dele dever-se-ia pagar patente todas as vezes que se faz uso de jargões de outras áreas. Este filosofo medíocre longe de perceber a integração dos saberes, do conhecimento, ele os desenha e os delimita em usos exclusivos e reduzidos. É uma visão pobre e dentro dessa pobreza precisamos salientar para ele que a metafísica transcende a palavra, o conceito, a denominação. Metafísica é a grosso modo e de forma superficial tudo aquilo que transcende a física, que vai além dela. 
Os gregos pensavam a física como Physis, isto é, natureza. Mas não a natureza ecológica de fauna e flora. A natureza para os gregos era uma essência, um algo que a habitava, que a compunha, que fazia ela ser o que era e não outra. Os primeiros filósofos exprimiram essa physis mediante o conceito de Arché, um principio que tornava a physis ela mesma e não outra coisa. Era pela Arché que a água é água e não fogo; o fogo é fogo e não vento. O vento é vento e não cadeira. A physis assim demarcava a identidade e a contradição e no meio delas não existia nada. Será?

Talvez seja justamente nesse meio, que na lógica denomina-se terceiro excluído que registramos a existência da metafísica. Aquilo que supostamente estaria além das demarcações lógicas, das regras estabelecidas. Claro que os modernos mudaram o conceito de metafísica. É mais próximo daquilo que estou denominando agora. Mas os limites dessa classificação são os próprios avanços científicos, afinal: ver micróbios andando na pele humana é metafísica? Observar a estrutura da natureza nos seus aspectos mais básicos e elementares é metafísica? Mover as coisas sem tocá-la é metafísica? Já foi, mas não é mais. Tudo isso um dia esteve no mundo da imaginação, da fantasia, do fantasioso, do sobrenatural, da mística, mas hoje esta no mundo ordinário do cotidiano.

Para a ciência normal (Kuhn) mesmo em tempo de crises e de possível mudança paradigmática falar de outros corpos que não o físico, observar as dores, gemidos, fraturas e fissuras desses corpos energéticos e como eles ressoam no físico é tido como algo metafísico. Muito embora, não devesse ser, já que, a física quântica em seus cálculos prevê essas possibilidades. Possibilidades não menos possíveis e/ou prováveis como as de conversar com entes fora do corpo físico, ou como compreender a estrutura psíquica das pessoas. De modo que isto que hoje é META , isto é, out, fora não demora muito pode vir a ser física.

Mas, sem esperar por esse momento, embora ele já esteja aqui e se faça agora, é que falo de aconselhamento metafísico. Uma forma em que o Kélsen místico, médium, "astrólogo", "numerólogo", "tarólogo", consegue utilizar dos mais diversos instrumentos para amenizar a dor e angústia do outro. Primeiramente, num bate papo, numa interação em que a pessoa apresenta sua questão. Segundamente, por um estudo holístico da questão, tentando abordar o tema levando em consideração os mais diversos aspectos e dimensões que nós (eu e a pessoa) conseguimos alcançar. Terceiramente, mediante uma aplicação energética que busca não apenas o alinhamento dos chacras, como a integração dos mais diversos corpos sutis. E, finalmente, mediante a orientação e esclarecimento dos amigos espirituais que orientam e supervisionam o trabalho realizado. Aqui, a parte metafísica propriamente dita.

A metodologia padrão é essa, o que não significa, que a ordem dos fatores não possam ser alterados. Já o resultado tem como objetivo, no que refere a questão  do corpo emocional, amenizar e diminuir o tamanho das fraturas e fissuras internas. Já no que se refere a questão do corpo mental equalizá-lo dentro da esfera do sentir. Em tudo a busca consiste em harmonizar os corpos, diminuir as distâncias  entre os corpos auxiliando a pessoa responder mais prontamente e sem entraves à dinâmica da vida como um todo.