quarta-feira, 1 de agosto de 2018

RODA ARCO ÍRIS: caminhando na luz.


Temos vivenciados momentos difíceis, inéditos. São acontecimentos que a maioria de nós nunca presenciou fisicamente no planeta Terra. Há um ineditismo em muitos dos acontecimentos que estamos envolvidos e nisso entramos no que os existencialistas chamam de ABSURDO. Uma situação singular, única, na qual não temos referencias passadas para avaliarmos, nos servir de base, experiência, referencia. Temos somente o facto a nossa frente, com sua bocarra imensa querendo nos devorar e suas presas nos abater. Sua vontade de exterminar tudo o que germina, tudo o que floresce, tudo o que louva e mobiliza uma gratidão por ser. Assim, diante do absurdo devemos dar, encontrar um sentido. Sentido que não é dado por terceiros, por algo fora de nós. O sentido, o significado é nosso. É dado por cada um, porque diante da finitude, sou eu que respondo perante todos.


Até então, as saídas para esses momentos eram individuais. Eu corro mais rápido, EU pulo mais alto, EU grito mais forte, EU vejo uma saída com mais agilidade, EU encontro uma solução. EU me empodero e transformo a minha realidade. No momento atual estamos nessa transição de que o EU não basta, não cabe, não resolve. O EU esbarra num muro alto, por vezes intransponível. Muitos querem ver nesse obstáculo uma obra criada e construída pelo Senhor Deus para impedir a prosperidade, o triunfo, a realização pessoal. Um obstáculo a ser removido mediante jejum, trombetas e orações.

Nem sempre. Muitas vezes esse muro é o chamado para a edificação coletiva, plural. Um chamado para a compreensão de uma nova mentalidade na qual o ganho é coletivo, a abundância é plural, os dissabores são distribuídos também entre todos. De modo que, uma força coletiva ganha vulto, expressão. Minhas ações, meus pensamentos, meu ser, meu grito, meu silêncio, minha culpa, minha magoa, minha dor, minha emancipação, minha liberação e libertação esbarram no grupo, no coletivo. Esse coletivo vai se tornando um ser, um ente, alimentado por cada um, construção coletiva de cada um e começa a afetar os membros. Vai se construindo uma unidade, uma coesão, um organismo vivo sendo gestado, gerado, parido. Há dores, há hiatos, há lacunas, há êxtases, há felicidades súbitas, há ranger de dentes lancinantes. Tudo pedindo para que consigamos assimilar o movimento entre o individual e o coletivo. Nos grupos de cunho energético isso é muito mais claro, em outros um pouco menos, mas vale a observação de como que de repente, sonhos, inspirações, cosmovisões, ataques vão afetando um a um e todos. Como que o individual expande até um determinando ponto e não avança mais. Como que o coletivo vai ganhando movimentos e dinâmicas espontâneas, naturais, uma existência própria. Como que uma análise do grupo permite identificar o que está passando com os indivíduos e vice-versa.   




Quando pensávamos a era de aquário em oposição a de peixes, uma das ênfases, era a insistência de que terminava a dimensão de rebanho, cardume (peixes) para a efetivação das lideranças e do individualismo. Sem dúvida que há esse movimento, porém há um outro, que é a visão social, coletiva, fraterna, irmanada, de aquário. Sabe os ideais da revolução Francesa? Igualdade, Liberdade, Fraternidade são mais ou menos esses insígnios que recaem sobre nós. Em outros termos, vivenciamos uma individualidade coletiva, plural. Como se do cardume, do rebanho despertasse uma consciência de se compreender peixe, de se entender ovelha e ir tomando ciência desse movimento conjunto, desse corpo plural. Como se numa epifania cada órgão se descobrisse membro de um corpo, aquela visão de ‘totalidade’ fosse alcançada a partir da especificidade de que sou uma parte singular que precisa atenção, exerce uma função. Função esta que não é melhor do que outra, ou pior do que outra. Não nos torna melhor do que ninguém, nem pior do que ninguém, pelo contrário, nos torna iguais, diferentemente, iguais. Fernando Pessoa no seu heterônimo Alberto Caeiro descreve isso como sendo uma criança que ao nascer descobrisse que nasceras de veras. Poderíamos pensar também em uma célula que desperta em meio a um organismo se compreendendo parte de algo maior, mesmo assim, possuidor de uma individualidade.

Na verdade, a visão que melhor cabe é a da orquestra, a da sinfonia. Cada qual com seu instrumento, apto a realizar o seu movimento. Todos são importantes, todos ocupam um lugar que sem eles ainda há música, mas com a participação de cada um, a beleza amplia, expande. De modo que em todos esses movimentos estamos ativando um conceito que nunca nos permeou, RESPONSABILIDADE. 


Anteriormente, chamava-se ovelha desgarrada quem tinha consciência de ser diferente do rebanho. Acreditava-se nessa fase (e alguns ainda acreditam) numa identificação estranha, de que ovelhas brancas e cordeiras não eram ovelhas e sim pastores. Que elas por serem mais alvas e mais ordeiras deveriam andar adiante e todas as outras a seguirem. Porém isso tem se esfacelado, fragmentado. Não há nenhum grande rebanho, nenhum grande cardume, mas há múltiplas associações. Em cada uma delas explora-se e vivenciasse multiplicidades, verdades, crenças e valores muito especiais, muito caro a cada um. Em poucas delas os indivíduos podem entrar, se deixar guiar de olhos fechados, caso dê tudo errado depois de bater panela, afirmar que estava seguindo ordens e voltar a dormir tranquilo, imputando a uma liderança a sua sorte e o seu destino. Não, a responsabilidade coletiva vai aumentando, ampliando. O nazismo é responsabilidade de todos, a opressão também. Nenhum ser social pode se eximir dela enquanto individuo, nem a carregar como um fardo como se fosse uma culpa de Ahasverus. Viver de Machado de Assis

Cada vez mais forma-se grupos, coletivos e o EU enquanto está nele sente-se responsável pelos seus rumos, suas ações. A ovelha líder não é mais vista como sendo o pastor, que com sua voz e seu cajado conduz as demais. Pelo contrário, todas se reconhecem ovelhas, todas conseguem ouvir e seguir o pastor e estamos aprendendo a receber em nosso meio as ovelhas desgarradas. Cada uma olha para si e se reconhece diferente e essa diversidade é a chave de composição da totalidade, dessa malha coletiva que vai se desenhando e se estruturando, silenciosamente.


E, por falar em malhas, por pensar em malhas, colchas cristalinas, retalhos existenciais, costuras metafísicas entro no ponto que é determinante. Há uma querela intensa nesse momento entre duas forças. Tento as nomear, mas não consigo de forma purista como seria mais fácil e didático- a nova e a velha energia, por exemplo. Muitos se enganam em ver em todas crianças seres novos e em todos os velhos seres absolutamente velhos. Há crianças que são dinossáuricas e há velhos que são cristalinos como um quartzo. Há partidos políticos e conceitos econômicos criados amanha que são medievais ( no pior obscurantismo do termo) e há conceitos e partidos da idade média que são absolutamente novos. Então, pensando nas duas forças, queria dizer que há o bem e o mal, mas até nisso nos engamos quando aprisionados na carne. Há ações que vemos como sendo malignas que estão repletas de amor e luz, similar a empurrar uma vaquinha no abismo, como nos conta a anedota. E há ações aparentemente bondosas, repleta de perversidade. Definitivamente, afora a suavidade, a leveza e a amorosidade, não temos como saber.


Fato que essas forças disputam espaço. Enquanto uma luta, agride, emperra empreendimentos, agride pessoas, dificulta cosmovisões. Outra, nos pede: se afirmem! Se conheçam! Não temam! Sejam quem vcs são!! E não importa quem sejamos. Eles nos pedem a integridade de sermos quem somos; ovelhas desgarradas, cordeirinhos, putas, loucos, não importa. Sejamos que somos.

Nesse ser e por essa ousadia haverá ataques. Não precisa lutar contra quem ataca. Nem criar defesas, muralhas. Foram as nossas muralhas que os fortaleceram. Precisamos apenas insistir em sermos quem somos. Ninguém pode resistir a isso. Ninguém pode deter isso. Essa força elimina qualquer ataque. O nascer do sol dissipa qualquer nevoa, ilumina a escuridão. E não há combate, luta no Sol nascer, apenas uma afirmação de ser quem ele é. Ele não pode não ser. E sendo, ele ilumina, aclara, expande, dissipa, seca, dá calor.


Então os grupos que pararam suas atividades de luz, retornem. O mal que lhe acomete, a dor que vc sente, o desanimo que lhe recai é a única forma que eles têm de tentar deter o inevitável. Eles não podem. Mas, se constroem muralhas, se aprendem mecanismos psíquicos e espirituais de defesa energética, se combatem, se guerreiam, nós os alimentamos e é disso que eles vivem. Eles conseguem construir tapumes que buscam impedir as pessoas de verem o sol, seguirem em direção à luz.



Um amigo conta, numa obra que estamos produzindo- INTOXICAÇÃO PLANETÁRIA, que a única forma que eles tem para nos deter é criar mecanismos de prisão e abafamento. Criarem censuras. Gabriel Garcia Lorca escreveu a Casa de Bernada Alba e a utilizo para pensar esse lugar escuro, sombrio, no qual o luto se transforma uma fonte prazerosa de ser. Do luto se faz e se estabelece vínculos e relações altamente perniciosas, tóxicas, na qual o amor, o amar vai virando doença.  

O que alguns grupos fazem com a Terra é muito parecido. Transformaram o planeta numa casa de Bernarda Alba. Lutam com todas as forças e com muito empenho para que a luz não entre, não chegue. Buscam até formas de criar e controlar luzes que não iluminam, ou só acende onde é necessário. Luzes direcionadas como lanternas, ou ovelhas saltitantes. Esses seres vivem do cheiro da morte, tudo entre eles é dor e ranger de dentes, até quando tentam rir são tristes e miseráveis. São dirigentes religiosos, tem uma forma muito própria de matar a vida, disseca-la e depois ritualiza-la, como fizeram com o crucificado. Aprenderam a crucificar toda forma de vida e criar rituais depois, que ovelhas e cardumes consomem como se vida fosse. Assim, aquele luto eterno, aquela caverna degradante é a forma que eles têm de nos fazerem identificados com o que eles desejam. Um mundo ilusório, limitado, sombrio, Temeroso. 

Alguns de vocês são atacados, porque envolta de vocês acontecem fenômenos inesperados, surpreendentes. Clarões de luz brotam dos vossos pés e pessoas são curadas. Clarões de luz surgem dos tetos e por essas fendas milagres ocorrem. Nesse mundo trevoso, toda luz é um milagre, porque a escuridão é muita. Uma hora eles descobrem que são vocês que produzem essa beleza, que criam essa leveza e então eles vos atacam. Eles não têm forças, eles não podem fazer nada, a menos que se escondam debaixo da cama, debaixo da saia de vossas mães. A menos que entrem em lugares mais escuros para aprender a se defender dessas forças. A menos que temam a própria luz e leveza que portam, não podem fazer nada contra vós.
  


Mas, fazem. Vocês estão deprimidos, com síndromes, fobias. Choram a noite, temem o escuro. Desejam e rezam para voltar para casa. Não há mais casa. Sua casa precisa ser construída e ela não pode ser feita com você debaixo da cama. Então, levanta, canta, dança, escreve, pinta, beija, transa, pira a gente com a beleza do seu mundo. Encontra outros como vocês e não fica com medo do telhado sair voando depois de uma forte ventania. Estamos aqui para vos amparar. Queríamos estar melhor preparados, mas estamos em nossas salas, em nossos consultórios. Não! Não estamos afirmando caminhos únicos, alternativas extremas. Estamos no processo de caminhada, talvez sem tanto receio. Talvez ciente de que não podemos nos negar, nem nos falsificar. Talvez ciente de que não temos ninguém para odiar, alguns até nem para lutar. Só queremos ser. Somos e essa força do universo é sagrada. Ninguém pode interferir nessa escolha. E, pouquíssimos interferem depois que assumimos essa RESPONSABILIDADE: ser quem somos!!

Não deveria ser tão difícil
Não deveria ser tão complexo e sinistro. Sermos e deixarmos ser.



Nosso trabalho é sermos quem somos e aceitar em cada grupo, o ser do outro. Receber o ser sagrado do outro e coabitarmos o mesmo espaço. E junto transformarmos nossas pequenas ações e são pequenas, minúsculas mesmo, em um momento sagrado no qual somos e nos rendemos a tudo que é! 

Não há nada a temer. Os adversários vão chamar para a briga e é isso o que eles podem fazer. Nós caminharemos para a luz, carregando nossas sombras. Vamos agradecer e sermos quem somos. Não há outro movimento senão: levanta-te e anda.  



Nesse despertar toda a transmutação é realizada. É o que chamamos de milagres. As realize com seus orixás, com seus anjos da guarda, com seus mestres Ascensos, com seus amparadores, com Buda, com Krishina, com Jesus, com Maria, com seus antepassados. Não importa o nome. Vá com a luz que te proporciona nas-SER. Ser aquele que tu és.

Vai realizar seu trabalho de ser mais um responsável no despertar de todos nós. Deixa seu medo ser dissipado pela luz do sol. Hoje já é um novo agora.



domingo, 15 de julho de 2018

ROSAS DO INFINITO



Essa é uma postagem rápida apenas para acalentar duas pessoas que desejaram estar conosco, nos enviaram alguns materiais, mantiveram-se conectadas, mas não puderam estar presentes. Beijo na alma!


Rosas do Infinito é como denominei um conjunto de seres. Eram mulheres/seres no formato de rosas. Elas eram rosas e as rosas eram e são elas. Um espectro físico da consciência delas formando roseirais imensos, lindos, perfumados. Prometo especificar mais tarde, agora é mesmo só acalentar um pouco o coração delas. 

Ontem 14/07/2018 fizemos uma reunião com elas e convidamos muitas pessoas para estarem presentes a esse momento. Quatro compareceram e ajudaram enormemente a compreender o fluxo, o uso, o sentido dessa energia.



Antes das 18 horas muita conversa, interação, bate papo, abraço de congratulações, felicitações, saudades. Depois das 18:00 o inicio de um silêncio que foi se aproximando, se aprofundando. Naturalmente, a conversa parou, as posições do corpo foram se alterando, a respiração modificando e o silêncio nos envolvendo. Um centramento foi sendo realizado e cada uma das presentes foi se sintonizando. Esse 1º momento perdurou por volta de vinte e cinco minutos.

Foi quando ‘cortei’ o clima passando algumas orientações, explicando o sentido desse encontro e o mais importante: você associa o feminino a que?

Basicamente, aqui iniciou o segundo momento, com um novo silêncio, mas agora diferente do inicial.

O primeiro silencio foi um enraizamento, um entrelaçamento. O segundo momento foi de subida dessa energia.

No primeiro momento elas nos ensinaram que há momentos tristes, pesados, dolorosos, amargurantes, solitários. Há momentos densos, cuja classificação psiquiátrica é depressão. Porém os místicos chamam de NOITE ESCURA DA ALMA. Um não exclui o outro. 

Um processo similar a quando a semente é lançada no solo. Está ‘sozinha’, abafada, imóvel. É mesmo a sensação de morte, facilmente identificado como dor e sofrimento. Abafamento, confinamento, perda de movimento, falta de sentido. Um incomodo perturbador. 

Nesses momentos o ideal seria silenciar-se, entrar em contato com esse momento, mas fazemos o inverso: nós desejamos nos movimentar externamente o que resulta na ampliação da insatisfação, do vazio, da dor. Nesse momento as pessoas querem correr, sair para beijar na boca, começam a comer doce sem parar, a comprar de maneira desesperada. A boca do vazio começa a dar dentadas no mundo, mas nada tem sabor, paladar, sentido.

Elas nos ensinaram calma. Similar a quando estamos no útero e vamos crescendo. Aquele lugar ainda que perfeito torna-se um incomodo para o feto e a mãe. O feto deve buscar o encaixe para nascer. Esse encaixe significa uma privação ainda maior dos movimentos, porém a hora está próxima. Com os momentos de angústia, tristeza é similar, com a diferença que fugimos dessa posição, desse lugar. Fugimos dessa sensação de retorno ao útero, ao silêncio que precisamos fazer para nascermos. 


No silêncio que elas foram fazendo, os medos, as angustias, as dores, as revoltas, as vinganças, as amarguras foram enraizando. Não era um enraizamento solitário, unitário. Eu só pude começar a 2ª fase, o 2º momento depois das energias delas terem alcançado uma interação, uma associação. Quando, basicamente, por debaixo dos pés delas houve um emaranhado de energia que se unificaram.

Foi essa unificação que permitiu explicar a fase anterior e o mais importante, pedir a elas que criassem a imagem a que associavam o feminino.

No 3º momento ensinamos como fazer uso dessas imagens para alterar padrões internos, momentos de travamento do agora, de qualquer ontem e conseguir vibrar novos futuros.

Esse foi um ponto interessante, o único no qual pude estar mais eu, porque ia falar da energia masculina, ou melhor, eu iria poder passar a minha energia na frente. Isso é uma das outras coisas que explorarei em outra oportunidade. 

É curioso como o feminino tem chaves, mas não abre portas. Há uma crença muito forte de que as portas são abertas pelo masculino. Isso um pouco mais incompreendido acaba perpetuando a imagem de donzelas presas na masmorra esperando o príncipe encantado salvá-las. A questão é que as chaves estão com elas e homens são peritos em fazer uso da força feminina (na figura das mulheres) para conquistar, se empoderar. Por vezes, na mesma proporção que algumas mulheres ficam encantadas, deslumbradas, com seus parceiros. É uma servidão voluntária.

Longe de apontarmos para o machismo, ou um feminino revoltado, descompensado, o que acaba gerando um tônus igualmente yang, acreditamos na integração; o Tao. O equilíbrio entre essas duas forças dinâmicas.

Isto para dizer que a partir dessa energia, elas poderiam curar, suavizar feridas, embelezar e abrir potenciais com a energia delas, nelas. Esse é um uso coletivo que me fez compreender o que são e como trabalham as Rosas do Infinito e como isso pode ser realizado aqui e está sendo, diga-se de passagem por muitos grupos. Alguns com um tônus separatista. Acreditamos que o ideal a ser potencializado é trazermos as coisas para a integração. 


Finalmente, após terem utilizado essa energia para desembolar aspectos, momentos na vida delas. Fazendo uso dessa imagem do feminino para voltar a momentos que reputa importante, criar outros que julgam necessários para elas destravarem, curarem as pessoas necessitadas na vida delas.



Nesse momento, a ativação das rosas trás a força para nós cristãos de Maria, mas a presença de Oxun esteve o tempo todo, como que conduzindo os fluxos de energia. Com Maria sempre vem as pétalas de rosas e elas foram lançadas sobre todos os presentes.











É o básico. Os detalhes postarei no canal do youtube: Fiholosofia a casa do autoconhecimento daqui a alguns meses. Por lá há alguns outros videos das reuniões anteriores. 

Esse encontro, assim como todos os outros pediu uma reunião especial, mas com a regência das mulheres. Nós homens apenas na sustentação da energia, como ficou um amigo. 

Outro aspecto muito interessante cuja compreensão só me veio ao termino da reunião é que essa é uma força coletiva. 
Ou seja, os passos aqui podem ser seguidos, devem ser, por isso a urgência em postar, mas os efeitos, o sentido é ampliado em conjunto. 

O isolamento feminino não faz bem e o encontro não pode ser apenas para curtição. Há necessidade de em algum momento invocar o silêncio, de enraizar e entrelaçar as raízes unindo forças, limpando dores, que não são verbais, mas a maioria sente.

.

  

 Bj em todos!




segunda-feira, 18 de junho de 2018

PARA ONDE A ENERGIA VAI?



Certa feita psicografando os Músicos do Espaço, um deles nos pergunta algo como: “o que você acha que é feito com a energia de um show de rock?”


Achei a pergunta linda e instigante. Passei a ficar olhando toda congregação de pessoas com esse olhar, para onde vai a energia de um clássico lotado? A energia de milhares de pessoas contra o golpe? A energia de centenas de pessoas pedindo intervenção militar? A energia do show de um artista famoso e de um cantor de churrascaria?

Para onde vai a energia de duas pessoas transando, a de um padre celebrando uma missa, a de um médium psicografando, a de um médico operando? A energia de uma mãe cozinhando e a de um professor lecionando? Para onde essa energia vai?

  
Eu faço a pergunta: para onde a energia vai? Porque a gente deseja que essa energia faça algum sentido. Desejamos que tudo não seja em vão. Esperamos e espera-se que a vibração de amor, de bondade, de beleza, de acolhimento não seja perdida no ralo profundo do desamor, da indiferença.

Em momentos pesados e densos como esses, em que muitos dos bons fraquejam e outros sucumbem. Momentos nos quais a descrença e a desesperança reinam, a gente precisa de encontrar alento, abraço, sopro divino e esse texto tenta ser um. 

Esse texto é para você que passou a última semana, o último mês, o último ano, a última vida querendo que passasse de pressa, mais rápido, o quanto antes. O peso da mão da criança arqueou o sonho, quase iludiu o buscador. A noite se fez mais profunda e demorada, mas o sol vai nascer. E com ele todos nós. Hoje é dia de descanso. Amanhã voltamos à celebração.

A música já está mais audível. Podem voltar a cantar e a dançar. O novo homem habita entre nós, dentro de nós; ele nascerá junto com o Sol.


Feche os seus olhos por um segundo, respire fundo, sentindo seu corpo presente nesse agora e depois volte a ler.
Vai, faça. Só vai demorar 20 segundos. É o suficiente.

Agora pense a energia eletromagnética, ou bioenergética como labaredas de fogo. Labaredas que podem ser esticadas como fibras óticas e percorrer distâncias infinitas levando e transportando milhares de bits de informação.

Imagine que a energia tenha ou ganhe vida própria, animação. A partir do nosso uso, da nossa intenção ela vai se desenvolvendo, se espalhando, ficando cada vez mais autônoma. Vai criando vida, movimentando espaço, fabricando tempos, construindo lugares, seres. A energia sai da animação e passa a se movimentar por si mesma. A concentração de várias pessoas, a intenção de milhares de pessoas, a vibração uníssona embora não consciente de cada um de nós, co-cria um espaço, um lugar, um tempo, uma dimensionalidade.

Em outros termos, alguém aí tem consciência do que produzimos, do que fazemos, como fazemos com nossa energia?





Provavelmente, não. Todavia ela se movimenta incessantemente para outros lugares, alimenta outras pessoas, chega a lugares que não vamos, a pessoas que não conhecemos. Recebemos também esse fluxo. Estamos imersos nesse mar, amar de ir e vir.

Muitas vezes o professor não sabe o que aconteceu com o conhecimento que ele transmitiu. O terapeuta não sabe o que ocorreu com a acolhida que teve de um partilhante. O médico não sabe o que se deu da receita que ele passou. A cozinheira não sabe do sabor na vida que deixou nas pessoas. O lixeiro não sabe da limpeza mental, emocional que promoveu na vida do outro. Não nos atentamos para essas pequenas coisas. Mas, a energia vai criando vida, vai espargindo, vai semeando em todos os níveis, em todos os lugares, em todas as camadas e dimensões.

Pudéssemos ver a viagem de um simples raio de sol, compreenderíamos a singeleza de um sorriso. Aquele raio de sol que vem atravessando o espaço, os prismas, em níveis e campos que ele não sabe e nem sonha, atinge uma gota de orvalho. 



Gota que também não sabe que fecunda e transporta luz e informação em sua composição natural. A gota alcança a rosa, que ignora a própria beleza, a inteira singeleza. Acha-se igual a todas as outras naquele roseiral. Mas, seu perfume exala poesia que atrai abelhas e beija-flores. 


E, o perfumador do ar, no seu voo, transporta para outro lugar, não apenas um pólen; ele leva o raio de luz + a gota de orvalho + a beleza da rosa + a elegância suave do seu voo. E tudo isso pode ser capturado numa fotografia, ou num poema de Cartola, ou na entrega da flor para pessoa amada. Tudo começou simultaneamente num raio de luz que já era mão apaixonada que colhe rosa para amada. 
Por aqui vemos quadro a quadro, mas há lugares que vemos tudo-junto-ao-mesmo-tempo-agora.

Ficamos tentados a acreditar que são os grandes feitos, as grandes realizações que valem a pena. Ser famoso, tornar-se celebridade, ser famosinho. Acreditamos que o destino de todos é ser sol, ser oceano, mas o Sol e o Oceano nos dizem: sou a somatória de todas as partes. Sou cada fio de luz. Sou cada vela acesa. Cada conhecimento compartilhado. 

Já o Oceano conta: sou cada suor pingado. Cada lágrima derramada. Sou cada abraço dado e por se dar. Eu sou cada pessoa abrigada, acolhida. Eu não me findo no mar, nem no amar.

Queremos ser Todo sem aceitarmos as nossas partes. Queremos ser Todo ignorando e excluindo a maioria das partes. E nessa tentativa de ser Sol, Oceano, o “Estado Sou Eu” há um grande dispêndio de energia, há muita dor e ranger de dentes. Quando ao que tudo indica, pela ótica energética, as coisas são bem mais simples. Bem mais fáceis. Basta cada filete de luz saber que é Sol em totalidade e que cada gota de água é oceano em profundidade. Basta, bastar. Basta aceitar. Basta caber sem desejo eterno de ser mais, querer mais, buscar mais, desejar mais, comprar mais... ++++++ até a multiplicação egoiga da solidão. Do eu solitário, sozinho, que não reconhece nem nos reflexos da luz, nem na superfície da água, nada além da própria imagem.

Então, mulheres lindas. Amadas amigas. Queridxs que tive o prazer de abraçar, de ouvir, de ser escutado. As vezes a ação cósmica é somente respirar e possibilitar que os filhos tragam os seus netos. As vezes não tem nenhum mundo para ser mudado, só o nosso roseiral. As vezes nem um roseiral só nosso eu Rosa. As vezes, nem rosa, apenas uma pétala. Mas, em cada parte o contentar-se com o Todo. A certeza de que os que mudam o mundo, ou as pétalas, ou a si mesmos, compõem a mesma dança e a mesma música da UNIDADE.



Assim, talvez, vocês não ficarão milionárias, nem serão famosas, não terão o sucesso do que se estipulou como Suce$$o. Talvez, compreenderão que sua energia, em consonância com outras, auxiliou a sermos diferentes, melhores. Auxiliaram no aprendizado do Planeta e na renovação de todo Planeta. Auxiliaram na fecundação e crescimento de uma biodiversidade, de uma pluralidade de ideias, conceitos, seres, espécies que germinam novas formas de vida, novas forma de convivência, novas formas e arranjos sistêmicos, complexos, entrelaçados nos quais toda a vida cabe. 

Toda gota é raio de luz. É Sol e oceano integrado. Essa fauna está entre nós.
Isso parece pouco, mas é formidável. Dar condições para que Gaia fomente, acolha, respire, polinize, geste e venha a parir e a sustentar um novo tipo de vida.

Assim, retomamos a pergunta: PARA ONDE VAI A ENERGIA?

E a resposta que nos dou, não como consolo, mas como observação, é que essa energia planta o infinito, semeia uma Nova Terra, co-cria uma nova realidade. Essa energia vai para a co-criação de um novo modelo de planeta. Vai para a sustentação energética de uma nova diversidade social, política, sexual, existencial.

Essa energia acolhe os aflitos, ajuda os desalentados. Essa energia é similar aquele homem que nos fala Martin Buber: “aquele que primeiro plantou uma árvore cujas sombras não assentaria, foi o primeiro a esperar o Messias.” Nós somos os semeadores do que virá e esse por vir já se faz presente e habita entre nós, no meio de nós, conosco.

Então, respondendo até onde posso observar, a energia tem ido para tudo o que vive, germina tudo o que deseja ser feliz e consegue alcançar a felicidade num princípio de cooperação sistêmica e integrada.

A energia vai e tem feito um novo desenho em nosso solo, em nossos ambientes, em nossas paisagens interiores e externas. A energia vai para partes nossas que há muito não íamos e agora também cultivamos com muita alegria e sabedoria. 

Semeadores da Luz, a energia vai para onde ela saiu e retorna para lugares que ela nunca esteve. A energia fica com quem a direciona cada vez mais fundo e com espectros mais amplos. A energia se condensa em ser. Eu Sou! Nós Somos! Tudo é um!

Bem vindo! As dores do parto passarão.  

Não se desesperem! Os campos estão floridos. O sol está acolhedor e a noite bela, repleta de novas estrelas, de novas luzes que não víamos antes. Agora vemos tudo melhor. Tudo mais claro.





terça-feira, 29 de maio de 2018

O EU. A ELA. US NÓS: caminhando pelo labirinto das relações.



Uma partilhante, super querida, perguntou para o seu namorado: “quando você vai me tirar desse lugar?”

A pergunta da partilhante trouxe a minha mente o universo feminino. Trouxe à baila as perguntas que nunca consegui responder, que nem sei o que estava sendo perguntado, que não tinha a menor noção do que elas estavam falando. Trouxe à baila esse desafio que é o entendimento entre homens e mulheres. É uma pergunta que dificilmente um homem vai apreender o mesmo sentido, dar a mesma importância que uma mulher consegue dar. Para nós homens há nessa pergunta um obstáculo linguístico, muitas vezes intransponível. Esse abismo é superado pela troca, pela parceria. Um entra com a disposição de avançar, outra com o fio que irá trazer o rapaz audaz de volta. De toda feita, fica a ideia de que sem um fio condutor, homens não se aventuram para dentro de si mesmos, nem para dentro de nenhuma relação.  

Já para ela e outras mulheres a pergunta tinha a clareza de quem estava no escuro, no labirinto, num áporo e que o outro estava lá com ela, junto, abraçado de conchinha. E, assim, ou justamente por isso, ela se referia ao lugar como um óbvio, um dado, que qualquer cego responderia. Para ela a pergunta era clara, distinta, obvia, notória. Ledo engano. Todo outro é singular e todo dentro é um labirinto que precisa de GPS. É um espaço que alguns navegam com grande desenvoltura, mas a maioria fica perdido.  

A reveria disso e de forma inusitada, 99% das mulheres, sem nunca tê-la visto, sem saber nada da história, ou da historicidade dela, a conseguem localizar e ofertar ajuda. Conseguem acolhe-la, como se as duas estivessem de mãos dadas no mesmo espaço. Conseguem compreender a pergunta como Teseu e seu novelo num labirinto.

Já para a maioria dos homens, aquilo era um labirinto. Um labirinto enevoado, no qual nem nós mesmos nos sabemos perdidos, ou acompanhados. Não tínhamos a menor noção do que se tratava e creio que isso se deve ao fato de muitas vezes as mulheres nos considerar Teseu, quando na verdade somos o Minotauro. Em outros termos não somos o herói que salva Ariadne, somos o touro faminto, a besta humana que devora seres desavisados. Sair desse lugar é uma travessia mais difícil para nós homens do que localizar onde vocês estão; mulheres lindas que estendem seus fios de novelo para nos trazer de volta. As mulheres modernas é sempre importante afirmar: qual é o seu novelo? Conseguir ter ciência disso pode auxiliar o parceiro em suas buscas. 



Nessa toada, eu tive que informá-la, que a gente não sabia qual lugar elas se referiam. O GPS masculino é externo, mensura cartografias das paisagens do mundo objetivo. Dificilmente nos perdemos no mundo. Geralmente, sabemos onde ir, como voltar, calculamos riscos, apontamos padrões, marcamos territórios. Conseguimos calcular, mensurar, especular, compreender a logicidade das coisas, dos feitos, dos ditos. Somos máquinas binárias que agem buscando racionalizar os desejos.

Já o GPS feminino é interno, subjetivo. Sente, capta, apreende humores, desejos, pensamentos inconfessos, vontades súbitas. Elas se localizam internamente com grande facilidade, minto, elas são tão densas, profundas, sinuosas que se perdem, se conflitam, se desencontram, porém ainda assim, a referência interna, subjetiva permanece e continua. Conseguem mapear as emoções, os sentimentos por nomes, cores, cheiros que nos escapam completamente. Conseguem traduzir nuances de amor sem confundi-lo com tesão, ou com amizade, ou com... Nós homens confundimos, na verdade, fundimos tudo. Tudo é tesão e se não é tesão a maioria de nós não sabe o nome. É uma cartografia pobre, desnutrida, que nem gosta de variações e nuances dessas ordens. Já as mulheres separam, distinguem. São lindas, mas não acessamos essa cartografia. Não sabemos que o amor tem muitos nomes, que o sexo tem várias emoções, despertam sentimentos variados. Não sabemos que vocês têm o dom de a cada parceiro perder uma virgindade diferente e algumas conseguem perder vários tipos de virgindade com um mesmo homem. Para nós a virgindade é um hímen, quando rompe acaba, depois disso, não há quase nada de novo sob o sol. Somos Minotauros, uma espécie de ogros ancestrais, que teimam em permanecer assim, saindo e entrando dos labirintos sem saber que estão perdidos, sem saber o que encontram ou a quem perdem pelo caminho. 


É preciso aclarar, que o lugar que minha partilhante linda estava dizendo é um espaço interno. O lugar que o namorado dela pensou é um lugar geográfico, externo. Nessas perguntas a gente deveria silenciar, mas elas nos instigam a falar, aí a gente responde e em nossa resposta fica aberta o hiato que nos separa. A distância que há entre esses lugares. Elas ocupam um mundo, dividem um mundo que tem certeza que estamos nele, mas quando respondemos mostramos que não. Nem temos noção das construções e espaços que coabitamos, que elas fizeram e sentem ser compartilhados. Nossas respostas espelham a solidão da relação a dois. Aquele casal de um que vemos de mãos dadas devido ao hábito, a rotina, a mesmice. Elas nos pensam Teseu e somos Minotauro. "Solidão a dois. Faz calor, depois faz frio..." Cantava o poeta. 



Inversamente, mostramos para ela nossas casas, os clubes, as conquistas que realizamos por elas, para elas. No entanto, estas conquistas não correspondem a esse espaço interno. Somos dois seres que se amam, falando a mesma coisa, mas de perspectivas diferentes, de óticas distintas, abrindo uma celeuma. Uma celeuma que se não discutida, ou se não conversada, ou se silenciada, transforma-se em cicatrizes irremediáveis. Viram dores e sequelas. É nesse lugar que se faz importante a construção do nós. E é basicamente sobre isso que o texto vai falar. ESSE TAL DO NÓS. Esse labirinto coletivo das relações, pois já não basta perdermos em nós mesmos, também precisamos nos encontrar nas relações. Nesse nós, essa construção inaudita que se faz com palavras ou silêncio, presença ou ausência. O nós ronda invisível sobre o casal, sobre as relações e as vezes abre buracos sob os pés dos mesmos e tudo desmorona, se perde. Outras vezes, ele soterra ambos com avalanches de acusações, situações inesperadas, terceiros excluídos. Outras vezes, o nós eleva o casal para um nível mais suave, menos denso, ou denso; porém juntos eles fazem ser transitável, superado, transponível. A cooperação, a compreensão de ambos os conduzem para espaços, lugares agradáveis a dois. 

Antes, de falar mais desse nós, aproveito e faço uma digressão, porque a questão apresentada, me fez recordar três perguntas que três mulheres que amei e amo me fizeram em momentos diferentes e eu nunca as respondi. Nunca soube a resposta. Uma eu nem sabia o que estava sendo dito. Tomo a coragem de responde-las nesse embalo da escrita. 

Leitoras mais apressadas podem pular para Esse Tal de Nós.


1ª Pergunta.

Minha ídola me perguntava a cada encontro, quando namorávamos, se eu estava feliz. Ela não me perguntava se eu era feliz e sim se estava, o que tornava a pergunta metafisica, transcendental, tipo: qual o sexo dos anjos? Ou, eles se reproduzem por via sexual?

Hoje quase três décadas depois, espero que ela nunca tenha se sentido culpada por eu ser, por eu não estar. Espero que nenhuma de vocês mulheres sintam-se responsáveis pela felicidade dos seus parceiros, porque isso não nos afeta dessa forma, dessa maneira. Talvez só os malditos agressores, abusadores, espancadores ocupam esse lugar de creditar a própria feclicidade ou infelicidade a mulher. Somos ou estamos felizes por nossas escolhas e ainda que não a banquemos pelo dito, o fato de estar com vocês é sinal de que estamos, ou somos felizes. Eu sei que não vale dessa forma. Vocês querem e merecem mais, e estamos preparando nossos filhos para que eles possam ser e estar numa relação felizes, sem que a mesma pese sobre as mulheres como uma culpa, a responsabilidade de uma e não de um nós.

De toda forma, nunca a respondi, mesmo porque nunca compreendi a pergunta. Hoje, mais de vinte anos, quase trinta, eu posso dizer que sim: eu estava feliz. O olhar dela alegrou meus dias e o choro dela me afligiu por vezes. Mas, fui feliz, estive feliz. Ela me ajudou a ancorar na Terra, ela me deu o Além-de-mim e a Minha Dádiva que me uniram a Gaia. Fixaram minha alma ao meu espirito e ele ao mundo, ao barro, ao pó. E as dores, aos tormentos que se sente quando se está no corpo. Sentindo somente aquilo que o corpo pode dar, por isso ele é tão virtuoso e a ponte de muitos mundos. Você foi para mim um sol.


2ª Pergunta

Essa foi feita numa Primavera. Nunca me esqueço dessa estação. Ela sempre floresce em mim, me rejuvenesce, me alegra, me eterniza. Foi uma noite, numa praça. Com ela sentado entre as minhas pernas, olhando para as luzes da cidade que teimavam em não dormir. Ou caminhávamos dando voltas na praça enquanto voltávamos ao mesmo ponto, ela me perguntou: “quando você vai me tirar desse lugar?” Rigorosamente, a mesma pergunta que minha partilhante fez ao seu namorado.   

Eu pensei que fosse da praça, mas claro que eu não era tão ogro assim. Então sabia que se tratava de algo sexual, que ela queria apimentar ainda mais a relação. Era uma súplica que eu não poderia deixar passar. Sim, nós ogros somos lamentáveis. Demorou quase cinco anos para eu compreender que lugar era esse. Qual era a Sibéria que eu a tinha colocado e como poderíamos sair de lá juntos, vestidos ou nus, abraçados ou correndo um pra cada lado, mas que eu visse que naquele desterro, sozinha, sem radinho de pilha, ela não poderia continuar, que ela doía de estar lá. Ela queria gritar nosso amor para o mundo. Ela queria brigar com o mundo e eu a protegi numa redoma: não se exponha! Não dê aos cretinos como eu, o prazer de pensar mal de você.
Hoje eu diria a ela que sim, eu a deixei no ostracismo. Não por vergonha dela, mas para protege-la. “Eu protegi teu nome por amor.” Cantava Cazuza. 

Ela saía de um casamento, ainda não tinha se dado a separação judicialmente, não queria que ela recebesse o mesmo olhar de condenação e maldição que eu lancei para ‘minha’ ex-esposa. Então o lugar que eu a coloquei foi o de proteção, cuidado, resguardo, mas quem falou que mulheres querem príncipes encantados? Da onde tiramos que mulheres reais não podem se proteger sozinhas? Que elas necessitam de um terceiro, de um outro para lhes proteger?

Quem disse que Ariadne foi para o labirinto sem vontade e por condenação só conhece um lado da história, a contada pelo herói. Nos diários de Ariadne, logo nas primeiras páginas, sem nenhum constrangimento e com um baita orgulho ela diz, textualmente:

Fui ao labirinto buscar a mim mesma. Buscar a mim mesma pelas pernas e mente de outro. Lá vi minha parte bicho, lá vi minha parte homem. Diante das duas ferocidades, descobri minha parte mulher, feminina. E essa parte minha desejou o touro que havia naquele homem e quis o homem que existia naquele touro. Mas, antes que ele me possuísse para eu ser completa, o herói o transpassou com sua espada. Mas, o herói nunca soube que a sua força vinha da mesma bestialidade. O herói ao esconder de mim sua fúria teve que me abandonar. Eu amei o herói, eu amo o herói. Mas, ele roubou o meu destino, o de ser presa pela minha própria vontade e querer. Ele roubou o meu sagrado. Apossou de uma glória que era minha. Ao me salvar, ele me deixou perdida para sempre, a não ser que ele se transforme na besta humana. A não ser que ele seja capaz de me mostrar toda a sua ferocidade e temendo meu olhar de pavor, reconhecesse a excitação do meu amor. E temendo que eu o devorasse, me fizesse sua. Eu então seria dele, completamente dele, não importaria com quantos homens eu me deitasse, com quantas batalhas eu lutasse; ele seria meu herói. Mas, ele não deu conta, me deixou para Dionísio e tudo o que escrevo aprendi no lençol do deus do vinho. O único que compreendeu que meu novelo era a saída e a descoberta dos nossos mundos. O único que aceitou ser o mais humano dos deuses, enquanto Teseu recusou ser o mais bestial dos homens.    
Isso tudo eu li no diário de Ariadne, tinha muito mais coisas, mas ninguém mais tem paciência de ler e saber dessas coisas que as moças já nascem sabendo e só ogros bobos ficam contando como se fossem novidade. 

Ia dizendo que mulheres precisam de proteção, mas na medida correta em que nossa proteção não lhes rouba a história, o protagonismo de elas serem quem são. Da mesma forma que nós homens somos.

Ela queria que eu a tirasse desse lugar. Mas, como sendo machista? Sendo mineiro? Sendo homem? Onde se aprende sobre isso? Como se aprende essa relação de igualdade senão com mulheres aprendendo e dominando outras linguagens? Nos ensinando novos idiomas e alfabetos? Nós homens necessitamos. Usem o novelo de Ariadne, conte para os seus parceiros que vocês sabem que para combater o Minotauro é preciso força, raiva e que mostrar esse lado para vocês não nos diminui. Mostre a eles que o que lhe torna herói é justamente ter essa parte bestial que ele domina, e quando escapa, você tem o novelo de lã para nos aplumar.

Mas, tudo isso para lhe dizer, anos depois, que o seu lugar está em mim, comigo, seja num sofá na lua, seja de mãos dadas na praça, seja com um beijo na alma, seja como uma transa de olhos abertos. Seu lugar sempre vai ser ao meu lado, ainda quando buscamos novos ângulos, novos arranjos e combinações. Seu lugar é o da liberdade de estar onde se sinta feliz. Entre meus braços e os Ha-braços.


3ª Pergunta


Essa amada-amiga, mulher, companheira, me perguntava sobre o nós. Ela ficou anos tentando me ensinar que existe o eu, existe o outro e existe o nós, que precisamos cuidar do nós.

Eu não sei o que é nós. Num relacionamento, eu nunca concebi um NÓS, essa construção coletiva. Isso não existia no meu horizonte. Eu via as pessoas falando, vivenciando isso, mas nunca entendi. O cara que passa todo salário para esposa. O cara que fala para mulher onde está indo e a que horas volta. O imaginar isso me paralisa. Eu não sei o que é isso, como se faz isso. Eu nem entendo por que se faz algo parecido. Não tenho esse registro.

Assim, ela me 'acusava' de não cuidar do nós, do nosso. Falava que eu fazia parceria com todo mundo, até com entidade, mas com ela, eu não conseguia. Falava do meu peixes interceptado (astrologues) e.... falava.... Mas, eu não sabia o que era isso. Para mim tinha eu e ela. Para mim tem eu e o outro. Os dois são livres para ser, fazer o que desejar. Entre dois, estabelece-se um contrato moral: seremos monogâmicos? Nossa relação é aberta! eu sou seu dono. Não temos nada um com o outro? Cada dois estabelece as regras. Posto isto, funciona como acordaram. Nunca vi nisso um nós.


Eu fiquei quase uma década tentando compreender o nós. E foi ouvindo as partilhantes que o vislumbrei. E aqui retorno o texto. Nosso Nós foi uma das coisas mais importante e bonita que me aconteceu. Os laços que nos unem, te ligam a mim, faz a ponte entre nós, onde quer que estejamos. O nós é um lugar que passei observar a partir de você. É o olhar com qual vejo e acolho os que me chegam.   



Esse tal de NÓS

A educação masculina é erigida na construção de uma centralidade. Ao se nascer com pênis, automaticamente vai se aprendendo que o universo gira entorno dos nossos desejos, das nossas vontades, do nosso querer. Toda educação dita ou não dita, ensinada diretamente, ou aprendida por exemplos é voltada para o eu, centrada no eu, voltada para o si mesmo. Lidam melhor com o mundo adulto aqueles que potencializam e expandem esse eu.

Esse eu é o ego mesmo. Epidérmico, superficial. Não é o eu de uma identidade yogue. É o eu construído para dar conta do mundo material, com valores de conquistas, superação. Um eu que se constrói como fora, cujas identificações se dão fora. Identificamos com o nosso trabalho, com o nosso time, com nossa casa, com nossas conquistas. É um eu projetado e lançado no mundo. Quanto maior melhor. O nosso eu é um pênis e a necessidade de fecundação, reprodução. Um eu/ego no qual tudo e todos giram envolta. Tudo existe para ele e por ele. Pensamos e desenhamos a existência a partir desse lugar: fecundadores do mundo.

As mulheres em sua maioria não têm esse 'eu'. Toda educação feminina é edificada na castração desse querer, no silenciamento e esvaziamento desse eu. É uma educação construída voltada para o outro. Elas se centram no outro. São educadas não para si mesmas e sim para agradar, receber, compreender, acolher o outro. Muitas passam a vida inteira sabendo das preferências e gostos de todos, menos o delas, porque o delas é o de proporcionar o prazer do outro. Claro que há um prazer e uma realização nisso, porém tem algo nesse lugar que anula a possibilidade de valorização, de re-conhecimento tanto de si mesma, quanto de outros. Creio que a frase de Sarte o "inferno é o outro" nasça da observação que o filósofo francês fez de sua amada Simone de Beauvoir. No masculino egocêntrico, egoico, típico e padrão de 90% de todo homem, não há esse lugar. Esse inferno é o lugar do feminino. Só nele encontra-se essa ocupação em agradar, em saber se está agradando, e agradando se está mesmo tudo certo, na medida correta. Se a mãe dele está gostando? O que estão achando da roupa dela? E da toalha na mesa e do papel no banheiro? Enfim... o inferno.     

Não obstante, uma mulher que busca essa centralidade tida como masculina, perde o lugar na sociedade, ela fica deslocada entre as mulheres e entre os homens. Ela não é compreendida, aceita. Como se o botão do foda-se não pudesse ser apertado por elas. Como se trazer à tona essa centralidade, esse eu no qual outros giram em volta mudasse o lugar, corrompesse, desvirtuasse toda sociedade. Independente disso, muitas tem realizado a dura e árdua tarefa de uma jornada dupla, tripla e mesmo assim não é suficiente. Continuam se cobrando e sendo cobradas, continuam sentindo-se frustradas, massacradas. Não importa se é bonita ou feia, gorda ou magra, casada ou solteira, mãe, ou sem filhos, jovem ou velha, rica ou pobre. Não importa se são bem sucedidas, há um peso sobre elas que dificulta elas permitirem-se permitir. 


As mulheres em geral têm um eu subjetivo, introspectivo. Captam e sentem o ambiente envolta, mas não projetam pra fora. Esse é um espaço um lugar social que é castrado, limitado. O acesso é difícil, nosso machismo não lhes cede espaço, não lhes dá trégua. É um massacre, especialmente, porque além disso, lhes imputamos a responsabilidade do nosso.   



Aqui penetramos o abismo das relações. Mulheres que procuram um nós. Homens que procuram um ela. 



Inúmeras vezes, nas relações, as moças, automaticamente, estão projetadas no nós. Elas saltam para o nós sem passar, mapear o elas, mesmo porque, o elas é o outro. Para a maioria das mulheres, a construção do nós é a coisa mais simples e fácil. De modo geral, elas observam com muita acuidade esse nós, elas cuidam com muito desvelo do relacionamento. O complicador disso é que falta o ela. Poucas mulheres têm esse ela constituído de uma forma que é re-conhecida e colocada numa posição de igualdade. 

 Por outro lado, homens não alcançam a dimensão do nosso. Ficam travados no eu. Cobrando e massacrando o eu/ela delas. Não é um massacre direto, ele é cultural, familiar, relacional. Os deveres, as obrigações da casa, da família, da relação são delas. E isso não precisa ser dito. São elas que devem ceder, que devem adaptar, que devem se submeter para que o outro seja e a relação perdure, permaneça. Há um fastio, um cansaço nisso. Nossas avos ficaram nessas relações por décadas, até que a morte os separassem. Nossas mães buscaram um equilíbrio nessa balança, separaram quando o prato ficou muito desigual. Minha geração e as da minha filha não dão mais do que três avisos sobre esse desiquilíbrio. Elas não estão com receio de partir, sair e buscar uma nova relação, ainda que nos amem. Inúmeras relações tem terminado não por falta de amor, mas de equilíbrio. No entanto, essa ação não as apazígua, elas continuam carregando um peso, uma culpa, uma inadequação.     


Outra questão igualmente inglória é que as mulheres que tem a si mesmas, que tem ela, assustam e amedrontam a nós homens. Em grande parte, não estamos preparados para essa relação de igualdade. Para a relação na qual seja necessário lidar com um querer que não é o próprio. Não estamos preparados para uma dimensão compartilhada, pensada conjuntamente. Sabemos lidar com o eu, com o ela, mas há dificuldade de se pensar o nosso. E isso é maravilhoso e tento dar um exemplo.

O pensamento feminino é inclusivo. Busca-se o melhor encaixe e o bem estar de todos, para todos. O pensamento masculino é exclusivista, estando bom para mim, está ótimo. Não há cuidado. Há contrato, que tenta uma justa medida entre dois quereres selvagens. No feminino há um acolhimento. Quando um partilhante não pode vir, ele me manda um zap dizendo: "hoje não vai rolar. Depois a gente conversa!" Esse depois as vezes nunca chega e está tudo certo. As vezes surge um imprevisto e para os caras eu digo: "vou atrasar! Ou, essa semana precisarei desmarcar!"Isso é natural. Está tudo certo. 

Com elas isso é impossível. O ato não pode ser unilateral. Tem que ser discutido, debatido, encontrado o melhor para ambos. É praticamente uma partilha discutindo como podemos encontrar outro dia, outro horário. É lindo! Muito diferente da marcação do eu. Eu não posso, você se resolve aí. Com elas há uma ocupação, uma busca, as vezes um sofrimento para fazer dar certo. E isso é em todas as relações. Elas criam uma cumplicidade maravilhosa e agem assim até que larguem, deixem, se decepcionem. Aí acabou a relação. 


Agora podemos voltar a pergunta: “quando você vai me tirar desse lugar?”

Talvez a saída seja conjunta, dupla. Sair desse lugar começa pelo reconhecimento de que habitamos universos distintos, lugares diferentes. Nos aproximamos, nos unimos, mas ainda assim, cada um vive num universo intimo. Sem senhas, sem novelos de lã, o outro é indecifrável. Por outro lado, a questão não é ir a lugares, homens são exploradores, adoram fendas e mistérios. Mas, a maioria dos homens estão perdidos e solitários num desses buracos que eles entraram e não encontraram saída. Numa dessas relações nas quais acabou perdido num labirinto. Acreditem, entrar é sempre mais fácil que sair, retornar, entrar novamente e percorrer esse mundo subjetivo do outro como uma parte sua, um solo sagrado. 

É importante que a gente comece a desvelar a linguagem do outro, sentindo o mesmo desejo que degustamos a língua, o toque, as caricias. Compreender o universo emocional é tão cativante e exploratório quanto a descoberta do corpo físico. Exige atenção, trato, amor, comodidade. Exige fantasia, partilha, carinho. Exige tradução. 



Assim, é incrível como que uma mulher compreende essa pergunta como se elas tivessem um GPS. Como se elas estivessem no mesmo local, vendo a mesma paisagem. Nós porém estamos na outra casca da laranja, do outro lado do universo. É preciso construir uma ponte para atravessarmos e é fundamental que na construção dessa ponte elas não se decepcionem conosco. 

Tenho visto na maioria das mulheres uma capacidade sensacional de suportar os desejos dos parceiros, mas muitos de nós não damos conta de lidar com isso. Ainda acreditamos que Ariadne precisa ser salva, assim a preservamos do nosso lado bicho. E desencontrados, desconexos, o labirinto nos devora. O Minotauro toma conta de nós. As relações terminam porque o medo, o receio, não rompeu a única virgindade que não pode faltar: a da confiança. E é nela que o laço se efetiva. É sobre ela que mulheres encontram o seu lugar. E ficam nele com alegria, amor, gratidão. 

E talvez seja essa e não outra a saga de Teseu, matar o Minotauro foi fácil, ser o homem que confia seu desejo àquela que ele idolatra como casta é de fato integrar o Minotauro que existe nele. É conduzir o relacionamento para um nível no qual poucos de nós fomos. É a escrita de novos mitos, novos heróis e novas sagas.

Está na hora de cada casal escrever a sua...

Era uma vez...