quarta-feira, 30 de novembro de 2011

O gênio fora da lâmpada: uma tentativa de controle do mundo externo.




Atualmente, já não consigo mais distinguir a realidade que vivemos daquilo que de fato desejamos. Vivemos aquilo que desejamos, não no que, necessariamente, cremos como postula filmes, “O Segredo”, por exemplo. Tenho observado, que as construções e realizações materiais se dão mediante a força dos desejos. É no contato claro com nossos desejos que os nossos pedidos, as nossas conquistas são alcançadas, são realizadas. E já não tenho a menor dúvida em afirmar, que todos os desejos são atendidos por movimentações de forças e propósitos que escapam a compreensão e racionalidade. A mentalização criativa, o mantra da prosperidade e outros não se adéquam a realidade, até que nosso desejo esteja livre para desejar. Sem neuras, ocupações, preocupações, relações de causalidade. O desejo deseja, e nós como seres desejantes recebemos aquilo que ele nos proporciona.
Assim, quer me parecer cada vez mais, que o medo dos Exus e o fascínio que eles provocam advêm da capacidade que eles têm de internamente aglutinar os desejos e dar a ele forma, nome, cara, expressividade. O uso que fazemos dessa força é ainda muito moral ou imoral, mas ressalto que ela é amoral. E sendo assim, quer me parecer que o uso da lâmpada para fins de caridade e altruísmo, nos moldes cristãos colocados, é mais uma forma de se manter os gênios impotentes. Similar a domadores de elefantes que quando ainda novos os acorrentam a árvores maiores que a força deles e depois de crescidos os mesmos não conseguem e nem tentam romper mais os laços.
Quero dizer que não há meio termo no uso da lâmpada, não há concessão no uso da mesma. Ou se tem uma e realizam-se os seus próprios desejos, ou se cria uma fila na espera da generosidade de Aladim conceder um pedido. Aqui estou pensando nas filas de atendimento que se realizam nas giras. Mas perceba que nessa relação, Aladim/médium é também um tolo. Tolo porque ele não é gênio embora se faça passar por um e ganhe notoriedade. De todo modo, quero acreditar que o desejo de médiuns devam ser deslocados para outro sentido. 1 dar novo colorido aos próprios desejos. 2 ensinar as pessoas a fazerem uso de suas lâmpadas, despertarem o gênio adormecido. Com isso estou dizendo que seja enquanto médiuns ou não, necessitamos aprender a dar uso mais consciente a esta força denominada de Exu. Esse gênio da lâmpada possibilita moldarmos a realidade, a nossa, em especial.
O que denominamos de riqueza é o uso desse desejo, ou melhor, dessa realização, já que a grande maioria deseja ser rico, no entanto, fomos catequisados para sabermos que riqueza é a essência espiritual e não o acessório do material. Mais ainda, poucos de nós estamos de fato abertos e dispostos a abrirmos mão do controle que já temos de nossas vidas, mesmo que isso signifique expandir e prosperar para novos horizontes.
É dentro desse quadro que os Exus e os gênios das lâmpadas ganham face amendrotadora, temível, demoníaca, já que eles representam a quebra e a ruptura com a normalidade, com o padrão estabelecido, com as regras postas e dadas. Essas forças representam e simbolizam o que em primeira instância classificamos como transgressão, desobediência às regras da sociedade, às normas do estatus quo. De maneira que nosso desejo de riqueza é apenas fonte de neurose, de stress e de tensão anímica. Poucos deram as costas a esta catequização e fazem uso, não das riquezas celestiais, mas das materiais, que brotam e encontram-se dentro das cavernas e grutas.
Por enquanto, estamos aprisionados pelo mago dentro da caverna, mas já não é sem hora e sem tempo de mexermos nessa estrutura, de libertarmos o nosso potencial, de rompermos com a tradição e o padrão que nos foi dado e nos reencontrarmos com nosso desejo. Longe de sombrio e perverso, ele é a base, o alicerce que nos garante a transformação do adolescente em adulto e do alfaiate em príncipe. Libertar o gênio é um trabalho de fricção, um lidar com nossos desejos, nossas frustrações, nossas batalhas e lutas. É sair da condição de paz acovardada e ir à busca do bom combate, isto é, sair da aceitação pacata e resignada e lutar pelo que se deseja e acredita. E não se faz isso sem desagradar, sem criar tensão, sem produzir atrito, sem deslocar acomodados para outros lugares, sem feridas que machucam, sem lutas que se perde.   
São nossos desejos na sua elementaridade mais básica e salutar que nos proporcionam e garantem a conquista material. Sim, porque para libertar o gênio é necessário força, esforço, trabalho, labor que pode ser direto ou não. Diretamente é quando se deseja e sabe-se o que se deseja: enriquecer, prosperar. Indiretamente é quando apenas se trabalha e dele advem o enriquecimento. Em ambas as vias foram ensinadas pelas tradições religiosas de forma geral que é uma estulticie esforçar-se para garantir posses terrenas e materiais. O que é uma verdade, já que não se tem controle dessa força, ela age e atua por mecanismos que desconhecemos e ignoramos.
Mas é bom ficar claro que todas as bases da ciência de previsão e poder nascem do desejo humano de controlar. E nesse desejo não há distinção entre a fissão nuclear desenvolvida no mundo da ciência e a pratica do feiticeiro que faz chover. Em ambos, o que esta se realizando é o uso da lâmpada, é a realização dos desejos e isso é importante não perdermos duas coisas de vista: 1- todos os desejos serão realizados; 2 não tem como mensurar ou comparar desejos entre as pessoas, cada um deles é legitimo por dialogar com aquilo que se é, no momento em que se deseja. Depois podemos mudar, mas naquele instante, a manifestação do real, a plenificação da realidade ocorreu da forma que desejamos.
Finalizando, os gênios atendem pedidos. Exu é um gênio da lâmpada maravilhosa, de uma força atratotara fenomenal e espetacular. A promessa deles não é a de garantir o reino dos céus e sim o de proporcionar bem estar e conforto no mundo material. Na mitologia iouruba e tantas outras a oposição corpo e alma, céu e terra nunca foi pobre, pelo contrário. Os deuses gregos e romanos cobiçavam, invejavam, guerreavam e comiam como glutões. Os orixás africanos comem, pedem oferendas, celebram a riqueza do espírito na demonstração simbólica da matéria: ouro, milho, ovos, mandioca, fubá, pipoca, outros. Entre nós cristãos esses deuses são imundos e nocivos, são diabólicos. Até hoje, Exu é visto como sendo e tendo parte com o diabo, mas prefiro pensar que essa representação nasce de cabeças doentes, como aquelas que desejando um deus tão puro, tiveram que inventar e criar tantas pervesões para seu deus reinar melhor: judeus, bruxas, negros, índios, tudo o que é diferente entra no rol do demoníaco.
Dessa forma eles tiveram que criar e culpabilizar tudo o que dança, tudo o que mexe os quadris, tudo o que ri e se sente feliz, inclusive, pela risada dada. É nessa ordem que eles ensinaram o medo, a culpa, a dor, a expiação e o castigo. E nesses ensimanentos aprisionaram todas as lâmpadas e todos os gênios para eles. A riqueza é condenável para os outros, eles não vivem sem ela e este é o pior tipo de pobreza conhecido: a que não consegue dar, a que não consegue compartilhar, a que toma do outro pelo simples prazer de não conseguir ver o prazer em nada e ninguém.
De modo que aquele que o lado temível de exu e do gênio é o de ao despertar em Aladim a força atratora da prosperidade, ele faça o pedido de impedir que qualquer outro venha ter um gênio, que qualquer um outro realize seus desejos, seus sonhos. O gozo dele passa ser a castração e a inutilização do outro. Nesse ponto quem faz uso da força de Exu para separar casais, arranjar casais, adoecer pessoas trazer a pessoa amada em três dias é de uma pobreza que a lama e o lodo nunca se fará ouro e ostra. 

O GÊNIO DA LÂMPADA: aprendendo a controlar um mundo interno.




A história de Aladim nos é famosa. Narra desde a desobediência do mortal em seguir a profissão do pai (alfaiate), até o encontro dele com um mago que lhe fala de uma lâmpada maravilhosa. Ilustrativamente simbólico, a estória conta que na procura pelo gênio (djin), ele deve entrar em uma caverna, gruta, um local profundo, escuro, debaixo da terra.
Inesperadamente, aprisionado dentro da gruta pelo próprio mago, tropeça na lâmpada mágica. A mesma encontra-se empoeirada e ao ser esfregada pelo mortal desperta o gênio adormecido de dentro dela, lhe assegurando o direito de fazer três pedidos, quaisquer que fossem. Ele escolhe ser príncipe e se casar com a filha do sultão. Em síntese, ele se apodera de uma vida e de um destino além do dado pelo seu pai e por sua tradição. É também dignamente importante, salientar que a profissão do pai, alfaiate, tem a simbologia do alinhavaamento, similar ao das Moiras.
Em representações mais atuais, o gênio é despertado depois de mil anos e sai de dentro da mesma, com um ar de tédio e preguiça. Um dos significados que podemos dar a isto se relaciona a inconstância do uso que fazemos dessa força, da inabilidade que ela nos provoca e nos remete.
Mas, antes de abordarmos isso, quero falar que a história é mágica e tem muitos sentidos. O que escolho nesse momento, nasce de uma conversa que tivemos com Luís Soares. Nosso amigo quis ver e apontar o gênio da lâmpada como uma das metáforas mais ilustrativas da força dos Exus. Sim, ele comparou exus a gênios da lâmpada. Mas, se a comparação realizada via psicofonia se fez imediatamente clara e evidente, agora, quando tento escrever, tenho que tentar expor as categorias que aproximam um e outro, sucintamente, seria: ambos servem fidedignamente aos seus donos, mesmo que isso possa ser contra o próprio dono. Paradoxal? Sim, o é. Mas é que ambos manipulam, tratam e realizam desejos e algumas vezes, os nossos desejos, nos machucam; o que não impede de tê-los atendidos. Quer me parecer então, que a relação posta por Luis, gravita na dimensão do desejo. No uso, na consciência e inconsciência que temos daquilo que desejamos, queremos, sonhamos. Exus, como gênios da lâmpada, realizam esses nossos desejos esta seria a similitude que abordaremos.
Desejos, geralmente, envolvem aspectos de nossa personalidade, que não gostamos de verificar, de saber que temos: ciúme, raiva, inveja, medo, ódio, rancor, perversão, outros. Desejos que fomos ensinados desde pequenos a não ter, a não sentir, a achá-los feios: cobiça, inveja. Mas, de modo geral, são esses desejos que proporcionam a capacidade atrativa, manipulativa dos exus moldarem o real. É engraçado percebermos sentimentos como energia, mas o são, e esses que tem vibrações mais baixas (enquanto vibração e não moralidade) são os utilizados pelos gênios para transformarem a realidade. Sim, os exus são peritos e especialistas em criar realidades a partir dos nossos desejos. São notórios os casos de bala que mascam, de carros capotados nos quais as pessoas são retiradas de dentro ilesas. Na literatura umbandista diz-se que os realizadores desses e outros feitos, são os exus. Mas não realizam apenas estes. É comum ouvirmos a expressão: “surra de santo” referindo-se as dificuldades que o médium esta passando pelo afastamento, ou não cumprimento de suas obrigações.
No entanto, como poderia um exu congelar a vida de uma pessoa, promover a ruína financeira, sexual dela? E como poderia garantir a pessoa sucesso nesses setores?  Quais forças estão em jogo? Parece que o desejo é a chave de leitura e de entendimento não apenas da força dos exus, mas da sua capacidade de ser utilizado como gênio da lâmpada. Mas estamos prontos para lidarmos com nossos desejos? Sim ou não, seremos e somos atendidos.
De todo modo, os exus nos auxiliam a organizar esses espaços internos da nossa psique. Nos permitem orientar mais sabiamente o universo ao nosso redor. O que não deve fomentar a ilusão de que é devido a oferenda que realizamos, ou ao pedido que recebemos na gira que o sol nasceu na manhã seguinte.
(Continua....)

terça-feira, 15 de novembro de 2011

O câncer e poder: Lula e o SUS



O que sempre desconfiamos se revela e se mostra com uma clareza cristalina: o poder come por dentro. Devora as entranhas. E sobre esse prisma que quero pensar três tipos de câncer e três tipos de personagens afins entre si e afins para uma parcela esmagadora de brasileiros, EU DISSE DE BRASILEIROS e depois retomo a distinção. Retomo agora, mas antes preciso salientar que falo do câncer de José de Alencar, Dilma Roussef e Luís Inácio da Silva.
O nome José de Alencar me remete ao escritor romântico, que desenhou o Brasil valente, cordial, nas suas penas. Zé foi esse homem, nascido pobre, construiu um império. Mas, o importante do império construído por ele era a beleza que seus funcionários ( dois deles me contaram) da humanidade e brasilidade que ele tinha no trato ao semelhante. Rico, patrão, podemos dizer burgues, nunca foi coronel, nunca foi senhor feudal modalidade tão afeita os nossos "homens bons". José de Alencar era um tipo raro, uma espécime rara, porque mesmo rico, podre de rico, sempre se viu brasileiro. Sua riqueza, sua grandeza econômica, política, social, trabalhista vinha disso: foi um brasileiro, nunca cuspiu na sua própria imagem e jamais permitiu que cuspisse na frente dele.  
Dilma é uma mulher de posses, de renda, mas com um sentimento de brasilidade. Dilma desde a juventude, talvez antes, soube o que é nação, o que é Brasil. E assim, identificada a uma causa, lutou contra a ditadura, lutou e luta pelo sentimento de igualdade. Um sentimento que a elite desse país nunca se identificou. Eles desconhecem completamente o que seja isso.
Luis Inacio da Silva, Lula. Homem que aprendi a amar, a admirar, vendo minha mãe o apontado com o dedo para a televisão, lá em 1979, 1980; quando professores aqui de Minas faziam greve e minha mãe grevista me falava de Ducci, Carlão e outros tantos, que mais tarde, ou, concomitantemente, viriam a fundar o Partido dos Trabalhadores. Hoje PT, um partido como qualquer outro. Cresci vendo o “sapo barbudo”. Cresci vendo sua coragem, sua crueza, sua mudança, ele ficou mais polido. O Lula de 1989 teria causado uma guerra civil, que eu lutaria lado a lado com ele. Teria feito reforma agrária na marra, teria deixado que toda a avenida Paulista e adjacências pegasse o avião e apagasse a luz ao sair. Mas, o Lula de 2002 era outro.
Mentira, era o mesmo e o seu câncer na laringe mostra o tanto de sapo que ele engoliu. Mostra, claramente, o tanto de sapo que ouviu. A mídia desse país e aí estamos falando do PIG (Partido da Imprensa Golpista) o atacou de todas as formas, de todos os jeitos, de todas as maneiras e ele não revidou. Obama e os democratas revidaram aos ataques da Fox, Sarkozy revidou aos ataques dos jornais franceses, Berlusconni implantou uma ditadura na Itália, Ivo Morales, Chaves fecharam jornais, Aécio demitiu jornalistas; Luis Inácio engoliu os ataques, a má vontade, a fúria, o ódio daqueles que não são brasileiros, NUNCA SERÃO.
Sim, essa é a grande temática do nosso país. Os brasileiros são os que não têm direito de ser. Os brasileiros são os mulatos, os crioulos, os mamelucos, os cafuzos, os com-fusos perdidos na identidade que ninguém ousa assumir. Já que os portugueses sempre desejaram ser ingleses, depois franceses; atualmente americanos. Nesse não lugar, os nascidos aqui das miscigenações nunca tiveram lugar. Nunca se teve um sentimento de identidade. Nunca nos abraçamos com a sensação de sermos filhos de uma mesma pátria, uma mesma mãe. Cada brasileiro é um bastardo renegado a sua sina e a sua sorte. Olha para o outro como um não igual, como que pertencente a um não lugar, que ao invadir o território, o juramos de morte. Os lugares no Brasil são muito bem definidos. A Casa Grande para os brancos, a senzala para os negros e entre um e outro, os sem lugar.
Esse ódio esta cada vez mais visível. Abre-se a internet e a lemos, a vemos, a ouvimos. Essa elite e hoje ela tem cara, tem rosto, tem cheiro, tem conta bancaria, mas o pior, tem seguidores raivosos, furiosos, que pedem para o presidente metalúrgico, nordestino, mulato, pobre, analfabeto ser tratado no SUS.
Finalizando:
O nordestino, o sapo-barbudo, o metalúrgico, o "comunista comedor de criancinhas", tem que tratar sua doença no SUS. Ele deve voltar ao lugar dele. Esse maldito que ousou fazer distribuição de renda. Ousou mostrar que os sem lugar nunca desejaram tomar a Casa Grande, tão pouco, submeter-se as condições da senzala, os sem lugar desejavam um tratamento de igualdade aos seus irmãos que habitam os dois territórios ocupados. E nessa vacância, sonham, desejam, que a pátria seja mãe de todos e para todos. Mas não pode!
Eles nunca cederam, eles nunca deram, eles nunca dividiram e nunca lhes foi tirado, a não ser por roubo, fúrias individuais que aumenta as desigualdades e mazelas coletivas. Esta na hora, passou da hora, deles cederem se não por regras democráticas, pelas balas de fuzis. Fato é que os filhos dos pretos, dos pobres, dos nordestinos, dos favelados, precisam parar de chorar por injustiça.
Quanto ao tratamento do meu presidente, espero que ele engula menos sapo. Espero que os seus se identifiquem com ele e pensem: “será justo pagar com a própria alma, o próprio corpo, para que os urubus se saciem? Até quando vamos tolerar que os bons sucubam para que a corja maldita tenha overdose? Até quando suportaremos que enquanto trabalhamos, eles nos oneram e nos chicoteiem?” A recuperação de Lula passa inclusive por falar o que pensa, seja para os amigos traidores e canalhas, seja para os canalhas e traidores que sempre foram desafetos e inimigos.
Quanto as redes anti-sociais, toda essa coragem furiosa é porque de fato somos coletivamente cordatos. Claro que tem um nordestino com faca nos dentes, um homossexual com gilete na boca, um negro com arma na cintura; mas ainda não aprendemos a atirar na pessoa certa, a sangrar a elite correta. Enquanto isso, somos massacrados como se fossemos minoria, suportando o incentivo covarde e silencioso de uma mídia e grupo de pessoas que vociferam o tratamento do presidente da Republica no SUS, mas não para que se garanta a igualdade e sim para que se demarque o lugar de cada qual. Afinal, alguém pediu que José de Alencar tratasse lá? Alguém pediu que Dilma se tratasse no SUS também? Alguém mencionou isso para Mário Covas? Alguém sugeriu isso para Rute Cardoso? Algum dos raivosos já esbravejou por um segundo, melhores condições de tratamento para os milhares de brasileiros que passam por esta doença e a indiferença burocrática, social e estatal? Não me recordo. E para refletirmos ainda mais sobre isso, Cristovam Buarque tem um projeto de que os filhos dos políticos estudem em escola publica, nunca ouvi nenhum clamor da elite para que isso seja votado. Nenhum movimento raivoso, irado na redes sociais. A res-publica (coisa de todos) só é validada entre nós para colocar cada um no seu lugar, isto é, os pretos, índios, pobres no SUS e a elite na rede privada, seja de aposentadoria, de saúde, de educação. Sempre há o deles e o do resto, o dos outros, o dos não iguais. Não iguais, porque embora eles façam questão de registar a diferença, eles nunca respeitam o diferente. 
De todo modo, quero acreditar que o gigante esta levantando, e nessas horas, as terras mudam de dono, o capital de lugar, as igrejas de crenças. Sangue rola, cabeças são perdidas, literalmente. E uma nova ordem se instala. A Republica se instituí. 



O Câncer e o Poder: o homem cordial é um furioso nato?



Nossos grandes sociólogos, especialmente e provavelmente, o maior de todos ao lado de Gilberto Freire, Sérgio Buarque de Hollanda, nos viu como homens cordiais. Em obras como casa grande e senzala e Raízes do Brasil os renomados autores e pensadores apresentam e descrevem um país cordato, um sujeito cordato, mas a historiografia mais atualizada mostra que não fomos bem isso. Assim, em oposição a esta visão apresento a de Nélson Rodrigues que nos diz: “o brasileiro é um furioso nato” e a historiografia nos dá conta de uma proporção de quilombos que até então não se tinha registro, e mais importante, abre nossos olhos para uma constação obvia e que escapou a geração de historiadores: se negros e índios sempre foram dóceis e meigos, por que tantos castigos?
No entanto, mesmo furiosos, a fúria nossa de cada dia não é a mesma que vemos na Argentina, no Chile, na França, nos países árabes, ou seja, a nossa fúria não é social, não é coletiva, não é plural. A nossa fúria não alcança essa modalidade, porque isso necessita de identidade e como vimos no post abaixo, a nossa identidade é sempre uma negação. O bonito em nossa identidade é não mostrá-la. O branco brasileiro se acha europeu. O negro brasileiro é um personagem do século XX, talvez da década de 70 para cá. O mesmo Nélson Rodrigues nos declara que o único negro brasileiro era Abdias do Nascimento e Pelé era quase o anti-negro. O índio brasileiro é uma fantasia romântica à Peri de Jose de Alencar. As afirmações de negros e índios enquanto legitimas ao espaço de poder é recente e ainda assim, fratricidas. O branco brasileiro não enxerga desigualdade racial. Às vezes, ele percebe a social. A de gênero ele nunca ouviu falar. De forma que a nossa fúria é sempre voltada contra o mais fraco e aqui já não importa mais sexo, raça, gênero, opção sexual; a covardia se volta contra o mais fraco.
Quero pensar que o policial humilhado em serviço, seja pelas condições de trabalho, seja pelo superior que nem precisa ser de uma patente tão mais alta, pelo bandido que ri e insulta a farda que ele veste, ele não se rebela contra as condições, nem contra o bandido, nem contra os superiores. A ação dele se volta contra os filhos, contra a esposa, contra o sem teto, o grevista, o sem lugar. Diante desses, ele se apodera de uma valentia, ele se apodera de uma fúria, de uma legitimidade, que espanca, curra, ameaça, tortura. Como eles são todos os outros.
A elite do nosso país acredita até hoje, que o país é deles. Eles são mais brancos, mais civilizados, mais europeizados do que o restante de nós e nisso renegam nossa africanidade, nossa relação intrínseca com o legado indígena. Eles até hoje, nunca fizeram nenhuma concessão, porque acreditam que estar entre nós já é a concessão a ser feita. Eles não perderam um metro de terra, não perderam nenhum dos brasões, não cederam nenhum bem cultural, simbólico, nem educação para o povo eles acham que devem dar. É a elite mais perversa, mais anti-democratica, mais corrupta e corruptora de todos os povos conhecidos. Porque, na maioria das elites, o crime de traição a pátria era motivo de exilamento e morte, mas entre nós, colocar-se ao lado da pátria é motivo de desonra. Ser confundido com um preto, um índio é uma ofensa gravíssima. Carnaval, futebol são palavrões que eles ignoram, mesmo quando se exibem fazendo uso dos símbolos que eles negam, renegam e tripudiam.
Nada ilustra isso tão bem quanto a copa a ser realizada no Brasil em 2014. Ricardo Teixeira, Nuzman, governadores, empresários passaram a se interessar por esportes. Disseram até que não haveria um centavo do governo federal. Funcionários sem aumento, Minas acusando problemas financeiros, logo Minas, do choque de gestão, esta em congestão para pagar o piso dos professores, dos policiais, dos trabalhadores da saúde. Eles vendem a paixão nacional para o capital estrangeiro e nos curram. Em suma, eles se fazem brasileiros para se alçarem enconomicamente mais próximo a elite europeia que eles desejam ser e freqüentar. 

O câncer e o poder: I Tomo- Laços de Familia.



Antes de chegarmos aqui (europeus e negros) os índios já eram, já estavam, já habitavam, já guerreavam entre si e algumas tribos se desconheciam completamente. De todo modo era uma sociedade tribal, com divisões territoriais bem claras, definidas.
Quando os portugueses vieram habitar aqui, os franceses já passeavam, e como os holandeses, desenvolviam uma relação igualmente exploratória, mas menos autoritária que a dos portugueses.
Quando os negros divididos em sociedades tribais, se deram conta que o inimigo deles não eram mais a outra tribo e sim o homem branco, estavam todos laçados e acorrentados, sendo trasnportados para a terra que era propriedade (mesmo que ela não existisse nesses termos) dos índios.
Ponto curioso dessa história é que os portugueses não trouxeram mulheres. Elas ficavam em Portugal esperando o marido enricar. Nesse encontro de culturas, de multipos povos, muitas culturas foram se cristalizando em uma- a brasileira. Mas, veja que essa cultura que nasce é a que todos têm vontade de matar. A cultura que nasce é em síntese a própria traição da cultura na qual cada brasileiro foi gerado. O filho de negro com branco é o traidor de dois mundos. O filho do negro com índio é o traidor de milhares de mundo. O filho do índio com o branco é o traidor de muitas culturas. O filho desses filhos são uma tentativa de reconstrução, uma tentativa de união, mas eles como foi dito: NUNCA SERÃO. Nunca serão negros, nunca serão europeus, nunca serão indígenas.
Fatídico, determinista, mas o processo de higienização, de europeização realizado no Brasil desde o século XVI é a tentativa de esconder de toda corte européia os traços primitivos e selvagens da colonização realizada. Diferente de franceses e holandeses que vieram e assumiram, durante todo tempo, que tiveram relações, as mais diversas relações, em especial, as sexuais com os povos e as culturas que aqui estiveram. Os português sempre viram na misceginação uma vergonha, pior, nunca assumiram o prazer de terem se relacionado com negras e índias, talvez daí a perversão mediante castigos e repressões inenarráveis. Os holandeses de forma geral jamais esconderam isso e os olhos verdes das mulheres com cor de ébano dizia isso, falava isso. Era uma outra relação, sem culpa, sem castigo, sem remorso, sem expiação. Os fados portugueses, o banzo africano ainda não tinha se transformado no carnaval, na alegria irônica dos franceses, na admiração contemplativa dos holandeses. Mas não quero me perder nisso.
Quero unicamente registrar que o sonho de todo português vindo ao Brasil sempre foi o de retornar a Portugal. Os descendentes destes para sentirem-se desligados e superiores aos primeiros, desenvolveu o sentimento de ser primeiramente francês, depois inglês, atualmente não entendem por que não são estados-unidenses. O sonho deles é o que o Brasil fosse um Zaire (extinto), um Quenia, um Haiti. Não tenho dúvidas de que eles articulam sempre que podem para o Brasil se tornar um Iraque, um Afeganistão. O desejo deles é o de que os americanos coloquem ordem nessa barbárie que é o nosso país. E por americanos, definitivamente, não estão falando de Barak Obama. Essa "aberração". Se essa á a nossa origem, vejamos um pouco do nosso desenvolvimento. 
Bjs em todos. 

quarta-feira, 2 de novembro de 2011

A PALAVRA NÃO É A COISA, MAS SERÁ QUE TEM NOME PARA O QUE EU FAÇO.





Tenho trabalhado energeticamente de forma mais ativa, realizando atendimentos que cada vez mais nos remetem a novas percepções e entendimento do mundo, do outro, de mim mesmo. Como a maioria sabe, o mundo energético é um mundo simbólico, dinâmico, envolvente, cativante. Nossa primeira interpretação desse mundo é vê-lo como sendo espiritual, no que este se apresenta de religioso. Todavia, este mundo energético, similar a camadas de cebola, possui faixas mentais, afetivas, emocionais, instintivas, sexuais. Tudo isso esta lá no mundo energético, numa cartografia muito bem delineada por Patrick Druout. No entanto, a questão é: o psíquico é funcionalmente e exclusivamente psicológico? O físico é funcionalmente e exclusivamente clinico, médico? O espiritual é estritamente religioso? O sexual é estritamente acadêmico ou conhecimento do senso comum? Quer me parecer que não a todas as perguntas, ou seja, a vida não guarda divisões estanques como as que brilhantemente elaboramos.
O que quero dialogar é que ao falarmos desse mundo energético para as pessoas, não estamos fazendo psicologia, pelo menos, não tenho vontade de ser psicólogo, ou terapeuta, nem médico, nem clinico, nem sexólogo. Será que existe um outro nome para que eu faço? Será que o meu fazer pode dialogar com outras áreas e outros saberes dando ao individuo senciente as condições não de uma terapia alternativa e sim de uma sustentação complementar?
Quero pensar como é que podemos falar do emocional, do mental, do físico e fisiológico do outro sem sermos respectivamente: psicólogos, psiquiatras, fisioterapeutas, médicos? Mas, ao mesmo tempo refletir: como podemos nos calar se vemos esses campos, às vezes, até com maior clareza e profundidade do que os especialistas, justamente, porque elas nos apresentam em totalidade?
Penso que a saída seria a interdisciplinaridade. Mas como aceitar que um monte de doido que aplica energia, acredita em cristais, força dos astros, vibração dos números tem figurinhas para trocar com aqueles que foram investidos e outorgados a falar desses assuntos? Como convencer ao pediatra que a parteira tem um conhecimento prático que é seguro e confiável? Como convencer ao psicólogo que o aplicador de energia acessa camadas profundas da psique, as modifica e as altera, sem necessitar da fala, da tomada consciente do paciente? Como mostrar que a energia é anterior as formalidades e convenções do mundo da vida?
Por outro lado, quando entramos nesse mundo psíquico, “acidentalmente”, como escapar e negligenciar as contribuições dadas nessa esfera por Freud, Jung, Reich e tantos outros? Pode o tratador energético (xama, babalorixa, pajé, curador espiritual) negligenciar isto? Não olhar para isto? Então retomo a questão: como falar da psique sem cair na psicologia? Pode-se falar da psique sem ser formado em psicologia? Acredito que sim.
De forma geral tendo a concordar que palavra não é a coisa, como nos disse Krishnamurtti e anteriormente a ele, Pedro Abelardo. No entanto, a questão persiste: qual é o nome que se dá para aquilo que fazemos?

Bjs em todos.